Um jovem anos dois mil começa a mostrar seus treinos em suas redes sociais e logo ganha aderência gay. Trezentos mil seguidores agora. Chamaram para uma colab no canal diva depressão. O jovem gay anos dois mil não fala sobre a sua sexualidade. Ele é branco, obviamente. Veste-se de índio ao carnaval, posta fotos e vídeos com seu cachorro adotado, explica seu plano alimentício e o calculo do seu corpo. Recarrega as energias acampando nas montanhas do seu estado. São Paulo, obviamente. Mais engajado que ele ficará seu futuro ex-namorado, ou você acha que ele viaja sozinho? Você sabe como funciona essa coisa de instagram né? Um storie é o suficiente para se apaixonar – da fotografia ao tempo. O futuro ex-namorado do jovem gay anos dois mil é muito ciumento. Não entendo por que não estou em seu feed, pensa. É a terceira viagem em uma semana, pergunta; é jeito de falar comigo, é hora de me dar bom dia; é presente que se traga; sei, trabalhando! sei! Ficará insuportável para o jovem gay anos dois mil, na mão de um futuro ex-namorado prestes a abrir a boca, logo agora que ele foi convidado para compor o núcleo lgbtqia+ do próximo mil novecentos e oitenta e nove.
