22 de jul. de 2021

Tem um quadro roubado na minha parede. Foi impresso aqui na minha cidade, que não tem ladeiras, mas não sei onde foi feito. Um pincel digital simulou ondas com os próprios fios formando a imagem de um mar pixelado em tons azuis. Fosse verde ou vermelho, haveria nele mais surpresas ou outras geografias. Há, mesmo que dentro de mim, um outro pincel que desmancha um recife pelo ponto de vista do rio. Este outro não foi roubado, mas não sei como chegou aqui. Um homem bonito mora do outro lado da rua e às vezes encontro com ele caminhando sob as ondas do meu quadro. Olho para ele da floresta do jardim de inverno no verão e ele me pede para passar protetor solar em suas costas. Fico nervoso e prendo a guia do meu cachorro na moldura. No outro quadro, também roubado, formas geográficas descobrem que é tudo uma grande mentira; a parte de dentro de mim.