16 de jul. de 2021

Não tenho motivos para ficar. Nem para desaparecer. Quando percebo a distância entre a passagem e a estrada, perco a escolha e deixo o perigo se aproximar. Todo passageiro que sou resplandece a cacofonia dos nossos silêncios. Desocupo quem fui, abro espaço. Respiro o sentido de ser tomado pelo passado e não serei. Basta pensar no gosto desse movimento para perseguir um tonto mar onde as ondas não existem. A evidência da disposição é pálida e catastrófica. Essa roupa manchada de vinho ainda secando o cheiro de sabonete. Ou seria sangue. Atraso a dispersão em cada passo. Desvio. Desvio como quem verte-se ao lado oposto do pensamento que tende a atingir na velocidade de um dia bom. O deserto tomando conta da estrada, não vou embora nunca. Vejo problema na música, na gente, na bebida. Tá lenta, tá feia, tá quente. Vejo problema em tudo, menos dentro. Estou, exatamente agora, insatisfeito. Essa insatisfação preenche todos os espaços que desocupei no meu corpo. Nada vai me abraçar até passar.