7 de dez. de 2012

Os dias passaram impondo limites a minha ansiedade. Onde predominava medo, não há mais vontade. Eu escutava músicas que nunca antes. Com a cabeça encostada na janela para sentir os buracos que os amortecedores do ônibus não conseguiam conter. O previsível olhar distante não enxergava nada lá fora, era para dentro. Onde nunca havia olhado com tanta intensidade. A estrada sempre me trouxera mais perguntas do que respostas. É seco sentir saudade do que a gente vai escolhendo deixar de ser, gostar e ter. Eu só queria não voltar, não sentir. Da necessidade de ir embora, a saudade sempre é o silêncio que grita mais alto. Da sinceridade de não querer voltar, há medo na entrega do que é desconhecido. O preço por provocar mudanças é sempre mais caro que ater-se ao conformismo. Vestir-me de ansiedade para destilar vontades, o que era confortável passou a ser insuficiente. É uma questão de necessidade, de ser sensível a realidade que cada vez mais se manifesta. Eu me levava embora sem saber que os teus sonhos iam juntos. Das palavras que nunca foram ditas, as vontades que deixaram de ser bastadas. Há dicotomia entre vontade e medo? O vício da casualidade esconde segredos de alguém que cansou de sentir saudade. Enquanto o mundo nascia em algum lugar distante dos limites da minha visão. O ônibus acelerando despedidas que a estrada jamais conseguiria adiar. Era teu medo limitando as vontades que jamais teríamos em comum. Tanta coisa pouco importa. As verdades, nessa parte da história, desobedecem minhas necessidades. Há fome no olhar, sede no ouvir. Um grito de socorro, a saída de emergência: tu. Tenho escrito pouco, pensado mais, depois nem lembro. Toda viagem é assim, o medo fugindo expondo segredos, frases que me tiram o sono surgem até que eu as escreva. Há muito medo para uma vontade só. Dicotômico? Talvez. Esse é sobre tudo que tenho expulsado de mim. Diz que eu fui por aí, criando saudades, mudando necessidades, matando vontades, cuidando de mim, de ti, de nós. A gente vai ser feliz, você vai ver.