26 de ago. de 2021

Você não gosta de sentir saudade; que contradição. Filas de supermercado, bares, ruas, tudo ensaia nossa despedida. Eu sei, a gente não pode morar na mesma cidade. A estreia dos meus melhores amigos do Instagram foi uma tragédia. Coloquei a foto de um poema meu no Kindle: ninguém respondeu; aquelas pessoas foram selecionadas por intenções; exatamente, nunca mais responderei absolutamente nada delas. Excluí todo mundo e o post, claro, você sabe que eu não aprendo a ser ignorado – principalmente aos domingos. Vivo preparando aulas agora, é o meu estado constante. Isso nunca acaba. Nem a ansiedade das horas que antecedem. Por outro lado, não dou mais uma aula sem que haja ao menos uma cerveja me esperando para depois: tem outro sabor (escute o poeta); a aula e a cerveja, exatamente nesta ordem. Ordem inclusive é o que anda faltando na minha poética. Tenho a ideia para um romance novo, comecei a planejar. É uma história na qual uso meus dedos para me vingar enquanto escrevo: a gente não pode morar na mesma cidade porque não posso mais passar as tardes entretido com fotos de arroz. Logo ela, que nunca me deu nada, agora enfeita suas próprias avenidas com sua beleza; quem te disse que eu vou morar sozinho lá?